Números Complexos: Quando √−1 se Torna Real
Em 1545, o matemático italiano Gerolamo Cardano incluiu na sua obra Ars Magna a resolução de uma equação que, a meio do cálculo, obrigava a calcular √−15. Cardano chamou-lhe "sofistica" e "inútil" — mas utilizou o resultado mesmo assim.
Três séculos depois, o engenheiro Charles Steinmetz (1893) descobriu que usando números complexos para representar correntes elétricas alternadas, circuitos que antes exigiam equações diferenciais passariam a ser resolvidos com simples multiplicações. A corrente alterna que alimenta as tomadas da tua casa é descrita com √−1.
O "número impossível" tornou-se indispensável.
A Unidade Imaginária
Define-se a unidade imaginária i tal que:
As potências de i repetem-se ciclicamente:
Número Complexo: Forma Algébrica
Um número complexo z tem a forma:
- Parte real: Re(z) = a
- Parte imaginária: Im(z) = b
- Conjugado:
- Módulo:
Operações:
- Soma:
- Produto:
- Quociente: (multiplica pelo conjugado)
Representação Geométrica: Plano de Argand
O número complexo z = a + bi representa-se no plano de Argand como o ponto (a, b) — onde o eixo horizontal é o eixo real e o vertical é o imaginário.
O módulo |z| é a distância à origem. O argumento arg(z) é o ângulo com o eixo real positivo.
Forma Trigonométrica (Polar)
Notação: z = r cis θ
Multiplicação em forma polar:
Ao multiplicar complexos: multiplicam-se os módulos e somam-se os argumentos.
Fórmula de Euler e de Moivre
Fórmula de Euler (uma das mais belas da matemática):
Para θ = π: — a identidade que une e, i, π, 1 e 0.
Fórmula de De Moivre:
Raízes n-ésimas de um número complexo z = r·cis θ:
São n raízes igualmente espaçadas num círculo de raio .