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Matemática

Distribuições de Probabilidade: Por que Tudo Tem uma Média

A altura dos portugueses, a duração de chamadas telefónicas, os erros de medição em física, a distribuição de notas de um exame — tudo segue a curva em sino. A distribuição normal é a mais universal da matemática.

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Distribuições de Probabilidade

Em 1809, Carl Friedrich Gauss estava a estudar os erros de observação em astronomia. Notou que quando múltiplos astrónomes mediam a mesma posição de uma estrela, os erros seguiam sempre o mesmo padrão: muitas medições próximas do valor real, poucas muito afastadas — e o padrão era sempre simétrico.

A curva que Gauss descreveu matematicamente — a distribuição normal, ou "curva em sino" — acabaria por aparecer em toda a parte: altura humana, inteligência, preços de ações, erros de medição, distribuição de notas. O motivo: o Teorema do Limite Central.


Variável Aleatória

Uma variável aleatória X é uma função que associa um número real a cada resultado possível de um experimento.

  • Discreta: assume valores enumeráveis (ex: número de caras em 10 lançamentos de moeda)
  • Contínua: assume qualquer valor num intervalo (ex: altura de uma pessoa)

Esperança matemática (valor médio):

Variância e desvio padrão:


Distribuição de Bernoulli e Binomial

Ensaio de Bernoulli: experiência com apenas dois resultados — "sucesso" (prob. p) e "insucesso" (prob. 1−p).

Distribuição Binomial B(n, p): número de sucessos em n ensaios independentes de Bernoulli.


Distribuição Normal N(μ, σ²)

A distribuição normal com média μ e desvio padrão σ tem a famosa curva em sino:

Propriedades:

  • Simétrica em torno de μ
  • 68% dos dados estão em [μ−σ, μ+σ]
  • 95% em [μ−2σ, μ+2σ]
  • 99,7% em [μ−3σ, μ+3σ]

Esta regra 68-95-99,7 (ou "regra empírica") é fundamental em controlo de qualidade, medicina e ciências.


Normalização: Variável Z

Para calcular probabilidades em qualquer N(μ, σ²), transformamos em N(0,1) (normal padrão):

As probabilidades de Z lêem-se na tabela da distribuição normal (tabela Z).

Exemplo: A altura dos portugueses do sexo masculino é N(173, 49) [média 173 cm, σ=7 cm]. Probabilidade de ter mais de 187 cm:


Teorema do Limite Central

Por que a normal está em todo o lado? O Teorema do Limite Central responde:

Se somarmos n variáveis aleatórias independentes com qualquer distribuição (de média μ e variância σ²), a soma converge para uma distribuição normal quando n → ∞.

A altura humana é a soma de centenas de factores genéticos e ambientais → normal. Os erros de medição são a soma de pequenas perturbações independentes → normal. É o teorema mais poderoso da estatística.