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Tectónica de Placas

A 1 de Novembro de 1755, um sismo de magnitude 8.7 destruiu Lisboa. A tectónica de placas explica porquê.

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Tectónica de Placas

Era o dia 1 de Novembro de 1755 — Dia de Todos os Santos. As igrejas de Lisboa estavam cheias de velas acesas quando, às 9h40 da manhã, o maior sismo da história da Europa atingiu a cidade. Magnitude 8.7. Em cerca de seis minutos, a maior parte de Lisboa estava em ruínas.

Mas não acabou aí. Trinta a quarenta minutos depois, um tsunami com ondas de dez metros varreu a zona ribeirinha. E os incêndios provocados pelas velas tombadas nas igrejas destruíram o que restava. Cerca de 60 000 pessoas morreram. O Marquês de Pombal reconstruiu a cidade numa grelha racional — a Baixa Pombalina que hoje conheces.

O que causou aquela catástrofe? Não foi punição divina, não foi coincidência. Foi a colisão entre a placa Euroasiática e a placa Africana, a cerca de 200 km a sudoeste do Cabo de São Vicente. Uma fronteira que ainda hoje existe — e que ainda hoje produz sismos em Portugal.


A terra move-se (mesmo que não sintas)

A ideia de que os continentes se movem parece óbvia quando olhas para um mapa: a costa leste do Brasil encaixa quase perfeitamente na costa oeste de África. Mas em 1912, quando Alfred Wegener propôs a teoria da deriva continental, foi ridicularizado. "Os continentes não se movem" — disseram os geólogos da época.

Tinham razão numa coisa: Wegener não conseguia explicar o mecanismo. O que é que move continentes inteiros?

A resposta chegou nas décadas de 1950 e 60, com a exploração dos fundos oceânicos: convecção do manto. O interior da Terra está quente — o núcleo atinge 5 000°C. Esse calor cria correntes de convecção no manto semi-fundido, que arrastam as placas tectónicas como tapetes rolantes em câmara lenta.

🔬Velocidade das placas

As placas tectónicas movem-se entre 2 e 10 cm por ano — sensivelmente a velocidade a que as tuas unhas crescem. Parece pouco, mas em 100 milhões de anos é uma diferença de milhares de quilómetros.


A simulação


O que move as placas?


Três tipos de fronteiras


Os Açores: no cruzamento de três placas

Os Açores são um dos lugares geologicamente mais ativos do planeta — e fazem parte de Portugal. Estão exatamente na Tríplice Junção dos Açores, onde se encontram três placas tectónicas: a Euroasiática, a Norte-Americana e a Africana.


Portugal e os sismos hoje

O IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) monitoriza a sismicidade portuguesa em tempo real. Portugal tem em média 2 000 a 3 000 sismos por ano no território e áreas adjacentes — a grande maioria imperceptível sem instrumentos.

A região de maior risco sísmico em Portugal Continental é o Vale Inferior do Tejo e a costa algarvia, devido à proximidade com a zona de convergência entre as placas Euroasiática e Africana. Os Açores registam sismicidade muito mais frequente e intensa, com erupções vulcânicas ocasionais — como a da Ilha do Fogo (Capelinhos) em 1957.

Próximo tópico

Percebeste como as placas se movem e o que acontece nas suas fronteiras. O próximo passo é explorar as consequências geológicas dessas forças: como se formam as rochas e como a Terra recicla continuamente os seus materiais no ciclo rochoso.