Evolução e Especiação
Em 1973, num período de seca nas Ilhas Galápagos, o biólogo Peter Grant observou algo notável: os tentilhões com bicos maiores sobreviviam melhor porque conseguiam partir sementes duras que os outros não conseguiam. No final da seca, a média do tamanho do bico na população havia aumentado 0,5 mm.
Em anos posteriores de chuva intensa, com sementes abundantes e moles, os bicos menores passaram a ser mais eficientes para consumir grandes volumes de sementes pequenas. A média voltou a diminuir.
A selecção natural acontecia à vista desarmada, em tempo real, em 12 anos de observações. Darwin tinha razão.
Os Mecanismos da Evolução
A evolução é a mudança na frequência dos alelos numa população ao longo do tempo.
Fontes de variação:
- Mutações (modificações no ADN)
- Recombinação genética (meiose + crossing-over)
- Fluxo génico (migração entre populações)
Mecanismos de mudança evolutiva:
| Mecanismo | Descrição | |-----------|-----------| | Selecção natural | Alelos que aumentam o fitness reprodutivo tornam-se mais frequentes | | Deriva genética | Variações aleatórias da frequência dos alelos (especialmente em populações pequenas) | | Fluxo génico | Entrada/saída de alelos por migração | | Mutação | Introdução de novos alelos |
Especiação
Especiação é a formação de novas espécies. Duas populações tornam-se espécies separadas quando acumulam diferenças genéticas suficientes para não poder cruzar entre si (isolamento reprodutivo).
Especiação alopátrica (geográfica):
- Barreira geográfica separa uma população em dois grupos
- Cada grupo evolui independentemente
- Acumulam-se diferenças genéticas
- Se voltarem a contactar: já não cruzam → espécies distintas
Especiação simpátrica (sem barreira geográfica):
- Poliploidia em plantas (duplicação do genoma)
- Selecção disruptiva (dois nichos distintos no mesmo habitat)
A separação do continente americano da Eurásia/África há 35 MA resultou em mamíferos completamente distintos: enquanto a África e Eurásia tinham rinocerontes, leões e chitas, a América desenvolveu guanacos, pumas e quatis. Mesmos nichos ecológicos, espécies completamente diferentes — evolução convergente com especiação alopátrica.
Evidências da Evolução
- Registo fóssil: sequência temporal de formas intermédias
- Anatomia comparada: estruturas homólogas (mesma origem, funções diferentes) — ex: braço humano, asa de morcego, barbatana de baleia
- Embriologia comparada: fases embrionárias semelhantes em vertebrados
- Biogeografia: distribuição geográfica de espécies correlaciona-se com deriva continental
- Evidências moleculares (mais poderosas): % de identidade de ADN — humano/chimpanzé: 98,7%; humano/rato: 85%; humano/mosca da fruta: 36%