Radioactividade e Física Nuclear
Em Abril de 1986, o reactor número 4 de Chernobyl explodiu. 36 anos depois, jabalins caçados na Bavaria, Alemanha, continuam a apresentar níveis de Césio-137 (¹³⁷Cs) acima dos limites de segurança alimentar. O Cs-137 tem uma meia-vida de 30,17 anos — o suficiente para ainda estar ativo em 2026.
Em contraste, o Carbono-14 tem uma meia-vida de 5730 anos — ideal para datar artefactos arqueológicos entre 100 e 50 000 anos de idade. A física da radioatividade é idêntica; apenas a escala de tempo muda.
O Núcleo Atómico
O núcleo de um átomo é descrito por:
- Z = número atómico (número de protões) — define o elemento químico
- A = número de massa (protões + neutrões)
- N = A − Z = número de neutrões
Notação: (ex: — Urânio-235)
Isótopos: átomos do mesmo elemento (mesmo Z) com diferente número de neutrões (diferente A).
Decaimento Radioactivo
Núcleos instáveis emitem radiação espontaneamente. Existem três tipos:
| Tipo | Partícula | Penetração | Ionização | |------|-----------|------------|-----------| | Alfa (α) | ⁴He (núcleo He) | Baixa (papel) | Alta | | Beta (β) | eletrão e⁻ ou positrão e⁺ | Média (alumínio) | Média | | Gama (γ) | fotão de alta energia | Alta (chumbo) | Baixa |
Conservação nos decaimentos:
- Número de massa A conservado (α: diminui 4; β: não muda; γ: não muda)
- Número de carga Z conservado (α: diminui 2; β⁻: aumenta 1; β⁺: diminui 1)
Exemplo de decaimento α do Rádio-226:
Lei do Decaimento Radioactivo
O número de núcleos N(t) decresce exponencialmente:
Meia-vida t₁/₂: tempo para metade dos núcleos decaírem.
Atividade A = λN(t): número de decaimentos por segundo. Unidade: becquerel (Bq) = 1 desintegração/s.
Datação por C-14: Um organismo vivo tem a mesma proporção de ¹⁴C que a atmosfera (t₁/₂=5730 anos). Após a morte, o ¹⁴C decai sem ser reposto. Medindo a atividade atual e comparando com a de referência, calcula-se a idade.
Fissão e Fusão Nuclear
Fissão: núcleo pesado divide-se em núcleos mais leves + energia. Exemplo:
Uma central nuclear usa a energia da fissão em cadeia controlada para produzir vapor → turbinas → eletricidade.
Fusão: núcleos leves fundem-se num núcleo mais pesado + energia. É o processo que alimenta o Sol:
A fusão é mais eficiente e produz menos resíduos que a fissão, mas ainda não é controlável para produção de energia em larga escala (o reactor ITER em construção em Cadarache, França, visa demonstrar a viabilidade).