A Água no Planeta: O Ciclo Hidrológico
A Terra tem exatamente a mesma quantidade de água de hoje desde há 3,8 mil milhões de anos. A água não se cria nem se destrói — circula. Esta circulação contínua chama-se o ciclo hidrológico, e é o que garante que há água disponível para todos os seres vivos.
Portugal tem uma situação paradoxal: no Norte e na Serra da Estrela chove mais de 2000 mm/ano; no Alentejo e no Algarve, menos de 500 mm/ano. Compreender o ciclo da água é essencial para gerir este recurso vital.
Distribuição da Água na Terra
| Reservatório | % da água total | |-------------|----------------| | Oceanos | 96,5% | | Geleiras e neve | 1,74% | | Águas subterrâneas | 1,69% | | Lagos, rios, solos | 0,013% | | Atmosfera | 0,001% |
Apenas 2,5% é água doce — e a maior parte está nas calotes glaciares e em aquíferos profundos. Os rios e lagos (onde bebemos) são uma fração minúscula.
As Fases do Ciclo
Evaporação e Transpiração: O calor solar evapora a água dos oceanos, lagos e rios. As plantas transpiram água pelas folhas (transpiração). Juntos = evapotranspiração.
Condensação: O vapor de água sobe, arrefece com a altitude e condensa em gotículas → formação de nuvens.
Precipitação: Quando as gotículas nas nuvens ficam grandes demais → chuva, neve ou granizo.
Escoamento e Infiltração: A água da chuva escoa pelos rios (escoamento superficial) ou infiltra-se no solo → aquíferos.
Acumulação: Nos oceanos, lagos e glaciares — o ponto de partida para nova evaporação.
Aquíferos e Água Subterrânea
Quando a chuva se infiltra no solo, pode atingir camadas rochosas permeáveis onde se acumula — os aquíferos.
Portugal tem o aquífero Querença-Silves (Algarve) como o maior da Península Ibérica. A exploração excessiva causa subsidência do solo e intrusão salina (água do mar infiltra-se quando o nível de água doce desce).